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Gareth Bale

Só uma parte do valor de transacção de um dado capital traduz o seu real valor no momento em que essa mesma transacção ocorre. Dos 100 milhões de euros que, aparentemente, o maior clube de futebol da capital espanhola está disposto a destinar para garantir os préstimos de Gareth Bale, só uma parte está vinculada ao seu verdadeiro valor. Uma grande fatia desses disparatados 100 milhões fica a dever-se, entre outras variantes, a pura especulação económica e a um certo vício de espectacularidade mediática que de há uns anos a esta parte tomou os gabinetes da direcção daquele emblema. Prosaicamente, Bale não justifica tamanho investimento. Neste ponto, é-me até quase inexplicável como raio é que se chegou a este número ridículo de 100 000 000. Desde logo, pergunto-me o que motivará um jogador cujo trajecto num determinado clube seja tão concretamente positivo a desejar uma transferência. O que é que o move? Dir-me-ão, não sem uma certa sobranceria ...

Antes da final, as minhas escolhas

11 ideal: 1 GK Eduardo (POR) 2 DD Lahm (ALE) 3 DE Fucile (URU) 4 DC Friedrich (ALE) 5 DC Puyol (ESP) 7 MD Muller (ALE) 8 ME Robben (HOL) 6 MC Xavi (ESP) 10 MC Sneijder (HOL) 11 AV Fórlan (URU) 9 AV Klose (ALE) . Banco: GK Enyeama (NIG) DD Maicon (BRA) DE Coentrão (POR) MC Schweinsteiger (ALE) ME Ayew (GAN) AV Villa (ESP) AV Messi (ARG) . Notas adicionais: Robben e Sneijder corporizam, simultânea e respectivamente, a galáctica estupidez do Real Madrid e as excelentes épocas de Bayern e Inter. As selecções sul-americanas - de ligas emigrantes - encurtaram terreno à tradicional hegemonia das selecções europeias - de ligas imigrantes -, ficando por apurar o peso dos fracassos de Itália e França ou as prestações apesar de tudo medianas de Brasil e Argentina. Finalmente, um pouco à imagem de outras indústrias da acção humana (como a indústria automóvel ou a musical), notam-se cada vez menos as, por assim dizer, características típicas das diferentes nações, que derivariam da gen...

A traição da Beleza

Lúcio não concordou com a atribuição do prémio de Melhor Jogador em Campo a Cristiano Ronaldo. De facto, para quem assistiu à partida, destacar desta maneira o avançado português equivale a apagar dos registos histórico-mitológicos do Futebol o mui apreciável duelo travado justamente entre os dois capitães, em particular durante a segunda metade do desafio. Simultaneamente (se é que é possível), esta atribuição define Ronaldo como vencedor desse particular e necessariamente Lúcio como aquele que saiu vencido. E, mesmo sendo isto falso, não se trata, porém, de "justiça", como disse Lúcio. Trata-se, isso sim, de traição à Beleza do Jogo. Qualquer defesa anseia defrontar o melhor dos avançados. E vice-versa. Num confronto eminentemente físico, imperou sempre a lealdade. O talento dos dois especialistas fez o resto, naquilo que foi, segundo a expressão consagrada, um "espectáculo dentro do espectáculo". Cada músculo dos dois craques transpirava prazer, mesmo quando o ca...

1-1, nada mais natural

Muita tinta já correu a propósito do golo sofrido por Robert Green, o guardião inglês. Dele se diz que foi um "frango monumental" que "custou" à equipa inglesa a vitória na estreia da competição. Nada mais errado. A insistência em tamanha brutalidade só se pode explicar por uma ainda mais obscena ignorância das matérias filosóficas e místicas do Futebol (com F grande). Uma afirmação tão elementar é a expressão de uma pseudo-maneira de ver o jogo que urge banir: a de que há vencedores antecipados. Uma coisa é certa: muitos são os que vêem futebol, raríssimos os que o entendem. E menos ainda os que possuem a sensibilidade requerida para avaliar convenientemente a prestação dos luvas. Não assisti ao desafio entre ingleses e norte-americanos. Mas não só isso não invalida que eu desate para aqui a cagar postas de pescada, como me não impede de constatar dois factos capitais: um, que a Inglaterra dispôs de quase uma hora de jogo para marcar outro golo e garantir os três p...

Jogadores do Sporting em quatro frases apenas

Proponho-me escrever quatro (4) frases acerca de cada um dos jogadores do plantel do Sporting. Interessantíssimo exercício de escrita criativa. . Rui Patrício É alto e canhoto - como o Petr Cech. Mas é um bocadito (...) pior que o checo. E ainda não levou nenhuma pancada forte na tola. Por outro lado, ainda é novo: tem tempo para isso tudo. Tiago Dói só de pensar nos idos em que a baliza do Sporting lhe estava entregue, em rotatividade com o Nélson. Às vezes, apetecia meter os dois na baliza ao mesmo tempo. Isso nunca foi feito, porém. E nada teve que ver com os regulamentos: acontece é que nem juntando os dois se obtinha um guardião que sossegasse os nervos dos adeptos. Ricardo Batista É novo. Formou-se no melhor campeonato do mundo. Tem historial de selecções jovens. Não joga. Pedro Silva Gostei quando atirou a medalha da Taça da Liga, pelo que de imprevisto a situação teve. Mas é ponto assente que «Defesa» e «Brasil» são duas palavras que, por assim dizer, não jogam. «Avançado»...

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Não ter o juíz da partida, aos 4´ da primeira parte, apitado penalty a favorecer o Sporting foi uma bênção divina para os atletas do emblema do leão: daquele minuto em diante, o céu desanuviou-se-lhes nas mentes, as negras nuvens dos tempos regulamentar e de compensação, das flash interviews e das conferências de imprensa afiguraram-se-lhes leves como penas, livres de julgamento e responsabilidade: “o árbitro não marcou o castigo máximo, temos desculpa”, entoavam-lhes aos ouvidos, num coro celestial, todos os anjinhos das mil crenças humanas. Ainda os rapazes de verde e branco rejubilavam nestas auroras e já um bracarense metera uma na gaveta do jovem luvas. Mas nada que abalasse os assegurados jogadores de Alvalade: a grande penalidade não assinalada era a remissão completa. O jogo desenrolava-se sem grandes sobressaltos, numa paz de igreja, "é deixá-lo correr", quando um estouvado suplente embica de pé de esquerdo o tento do empate (porventura de cabeça perdida de amores e ...

Em 2009, nada de novo (ou não)

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O PR disse , com aquele semblante dorido e grave que lhe conhecemos: "não devo esconder que 2009 vai ser um ano muito difícil" . Dizem as gentes que para bom entendedor meia palavra basta, e é bem verdade. Aníbal Silva não o disse expressamente, mas todos lemos: "2009 vai ser um ano muito difícil [para alguns, os mesmos dos anos passados]". Na mesma linha, o Papa disse que a situação exige de todos "mais sobriedade". Com efeito, Bento XVI discursa habitualmente sóbrio. Disso ninguém o pode acusar. Quanto ao outro Bento, o Paulo (o número deste não sei, mas ele jogava com o XVII, não era?), ninguém disse nada. Por terras de Alvalade, treinador e presidente são tema tabu, o que tem, sem dúvida, as suas vantagens: todos sabemos que, quando as gentes do futebol abrem a boca, ou entra mosca ou sai (...) asneira. Assim, em silêncio, não há baixas a assinalar. Mas queria chamar a vossa atenção para isto: no artigo do Record dedicado a este não-assunto , já se o...