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D. dia 5

Dia 5. Ausência rima com incerteza? O toque é a certeza de todas as certezas. A electricidade das mãos, o molhado dos lábios, a impaciência dos sexos, a tesão dos olhares. A ausência abre rachas no edifício do amor. Amante sem medo não é amante. Amor só dor é só desamor. QT

D. dia 3

Dia 3. As rotinas parecem querer já assentar. Poeira levantada após um abalo? Os amantes distantes não podem ser amantes felizes. 'Todo o grande amor só é bem grande se for triste'? Receio estar certo se deixar escrito que não seremos nós a desdizer o poeta. QT

D. dia 2

Dia 2. Antónimo de toque? Distância. Toque? Pudesse a palavra substituir-lhe o calor e a certeza e ambos, palavra e toque, perderiam a sua essência. Distantes, porém, nada mais exigimos da palavra senão fazer as vezes do toque. Erros há que é bom sinal cometer. QT

D. dia 1

Dia 1. Eu ficante, tu partinte. Vida nova sem ti, dizes-me, e isso ao meu fraco entendimento não passa de uma acre porém inofensiva hipótese académica. Vida nova, como um bilhete só de ida? Sem mim, como se a presença fosse matéria só tocável? Não adianta responder através de palavras. Que estes nãos que ora se calam sejam o real substrato dos nossos dias, o prolongamento dos nossos gestos, a seiva dos nossos impulsos. QT