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«Trainee de produção»

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(Clique nas imagens para ampliar.) . " Exmos. (as) Senhores (as), Após ter lido por um par de vezes o V. anúncio («.Torke recruta trainee de produção», publicado no site www.cargadetrabalhos.net) e de ter debatido junto dos meus o objecto visível e o objecto perceptível do mesmo, bem como o génio que se lhe nota estar por detrás de cada caracterezinho, decidi-me a contactar-vos, ainda que o Asco e a humana Preguiça me tenham assediado para que o não fizesse. Quiçá, dir-me-ão Vocelências, assim o queiram, está claro, o Bom-Senso, esse ilustre desconhecido, me pudesse ele também ter evitado uma carga de trabalhos, bastava para tal que me entorpecesse um pouco mais a mente e me bloqueasse este intuito. Dirijo-me à V. empresa e a propósito deste V. anúncio, mas poderia muito bem fazê-lo para e acerca doutros quaisquer empregadores capitalistas de semelhante calibre. E, ainda que o faça de jeito atabalhoado e, até pelo tom, despretensioso em relação a qualquer tipo de reciprocidade, o...

Hemorróidas vipes

(Queijas, numa manhã de uma quinta-feira de uma semana de um mês de um ano.) 1 A pastelaria ampla e airosa, meio cheia meio vazia, um murmurar de pires e colheres, um tilintar de homens e mulheres. O sol nublado, de cauda de grilo amarela acinzentada, era o maestro da sinfonia da cor da sala. O galão quente e o livro aberto bailavam impudentemente à minha frente. Mas eis que! Entra o vipe: Munt´ importantão, Num Eis-me enfim chegado! Saudando a plebe c´ um gesto da mão. Os gestos largos, A voz grossa, A barba farta, A solene e feia pança de morsa. Os olhos piscos A lamber a situação À cata de cuscos Que lhe passassem cartão. D´ um trago, aspirou o café e a nata. Sem delongas, os olhos fizeram que liam as manchetes do matutino que jazia junto aos restos mortais do pastel. Depois, num ápice, içou o corpo flácido com ares de atarefado. E então: Sai o vipe Num sonoro tropel de banhas, Meneando as horrendas nalgas, Despedindo-se c´ um aceno das gadanhas. Breves momentos passados, a normali...

Dubiez

Aos sábados gosto de bacalhau com todos os meus amigos longe de preocupações estou eu farto

Exercícios d´ escrita: Alice Corinde.

I) Arrota cu desnosso país tem seguido é motivo de pré-ocupação por parte dos nossos vis inhos europeus, q prontamente se diz puseram a criar um pacote de a Judas, q nos açambarca, aliás, perdão, abarca, entroutras, matérias materiais (e imateriais) de imortais méritos (e mortais débitos) acerca dos quais, antes de mais, não devemos cagar postas de pescada: os mandantes do país português irão en carregar-se de dinheiros comunitários e discursarão com pompa e arrogância: «Portuguesas e portugueses, arrota q é boa é esta q doravante arrotearemos, tão, mas tão! bem mareados por couves de Bruxelas. Viva a União Europeida, viva Portugal». II) Ainda o xô primeiro-mandante arfa dos apoteóticos vivas e já as palmas, urros, guinchos, bandeiras esvoaçam no vazio mental da praça pudica – e circulam as coxas de frango e a imperial de joelhos enjeito de presente pra todos os presentes, à laia de cenoura pendurada à frente do asno q caminha quilómetros na ânsia de a roer, espécie de cubinho de que...

Antidemocracias

Escrevo sem preparação nem tempo. Mas não quis deixar de (tentar) lançar um tópico de discussão - a ver se a fazemos: aqui segue um link com as declarações do Ministro dos Assuntos Parlamentares a propósito dos protestos que se fizeram ouvir à entrada da dita " reunião de comemoração dos 3 anos de Governo PS " (a qual, de resto, já foi apontada por alguns cronistas como sendo uma reacção propagandista por parte do Governo às manifestações dos professores e, outro dado, estava marcada para uma praça e foi, posteriormente, " por motivos de segurança ", transferida para um recinto fechado). Cito Júlio Henriques: " A tirania moderna é democrática (...) o critério do novo absolutismo é este: as ordens devem ser proferidas pelas classes dominantes como se não fossem ordens ". E relembro o que tive oportunidade de registar aqui há uns tempos: aqui . Que me dizem então acerca da liberdade em Democracia, da liberdade democrática, da Democracia, da liberdade?

Posta de pescada I, por Bruno Henriques

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Senhoras e senhores, é com alegria que vos dou a saber que, doravante, este espaço receberá a mui enriquecedora contribuição de Bruno Henriques, meu comparsa nas lides inconclusivistas, por ora alhures emigrado - e, portanto, na privilegiada posição de estrangeirado. Para mais fácil compreensão da autoria do que aqui se for publicando, as achegas deste meu camarada serão denominadas, à laia de crónica, de «Postas de pescada». Longa-vida às Postas. Muito obrigado. . ............................................................................................ André Campos . __________________________________________________________ . Foi com muita honra e orgulho que aceitei o convite para abrilhantar este espaço. Por motivos psicogeográficos, religiosos, morais, ideológicos, de configuração empírica ou outros não referidos anteriormente, como não é o caso dos clubísticos, os textos por mim expelidos podem cair fora do penico que é este blog . Pois não vos apoquenteis. Como na natureza na...

Pasodoble

Por defeito, Somos governados defeituosamente Por eminentes mentes incontinentes E defeituosas. Com efeito, Vemos defeitos evidentes Sem recurso a videntes Ou demais psicodoentes. Mas nada muda. Liquefeito, Sem disfarçar o trejeito, Busco o efeito, O movimento perfeito, Almejo o que pra mim seria um feito: A revolução das mentalidades, Das mentes de todas as idades, Das gentes de todas as cidades! Mas é de tal monta a improbabilidade De vir a ter tal felicidade, Que só pode ser da idade Que inda insista na ideia.