001Portugal é um imenso bordel. Os chulos são os deputados, os ministros e demais governantes. Nós - as putas. Andamos a ser fodidos dia após dia para que eles encham as bolsas.
1 Tomado de forma lata, o Comentário acerca das Legislativas de 18 de Maio, em geral, e dos resultados do partido Chega! (CH), em particular, tem dado corpo a duas grandes correntes, chamemos-lhes assim, analíticas: a corrente forense e a corrente ética . A primeira procura a culpa . Bem entendido, a culpa pela ascensão (ou pela consolidação, como se queira pôr) do CH. A segunda organiza os acontecimentos segundo uma lógica de Bem e Mal . E votar no CH foi, ou é, inequivocamente, um mal . Uma e outra são, é claro, interdependentes. Não raro surgem juntas, ou uma entronca na outra, ou aquela é premissa desta. Enfim, de uma maneira ou de outra, ambas julgam qualitativamente um voto e há nisso, mesmo que em diferentes graus, uma carga moral(ista). Ora, isto não se observa senão relativamente ao voto CH. E sim, há boas razões para isso – tão boas que me escuso de as elencar. Mas nem por isso deixa de ser um dado que merece reflexão. Outro dado: quando o emissor do Comentário aq...
Não me espantaria que os telejornais do jantar desta sexta-feira chuvosa e fria e escura tivessem incluído nunca menos que um segmento de imagens onde pontuassem hordas de "jovens" em apinhada folia nocturna em que nove em cada dez - porque era esse o assunto da peça - se exibissem despidos de máscara. Imagino, do lado de cá do ecrã, uma massa de bons cristãos assistindo arrepiados, benzendo-se perante tal espectáculo, murmurando, entredentes, num misto de assombro e raiva, - Mas a pandemia ainda não acabou, repetindo-o mesmo - Mas a pandemia ainda não acabou, - Mas a pandemia ainda não acabou, - Mas a pandemia ainda não acabou, só não sabemos se o repetiriam em voz audível, se no segredo dos seus pensamentos, como não sabemos se o diriam por mera constatação de uma realidade relativamente objectiva, se por um inconfessável desejo - Que a pandemia não acabe, - Que a pandemia não acabe, quiçá expresso, aliás, num discurso directo donde transpirasse a familiaridade de dois anos...
Parece que estamos a passar pela sexta vaga. Francamente, achava que já tinham sido mais. Mas é o que dizem e, em última análise, o que nos dizem é tudo o que temos. A vida não é senão o fogo-cruzado entre a narrativa que alguém nos conta, a percepção que a partir daí calha elaborarmos e, nos intervalos entre uma coisa e outra, a especulação em que nos gastamos. Portanto, se é a sexta vaga é a sexta vaga. Aliás, há até uma certa sincronização cósmica - porque é tempo também do sexto pacote de sanções à Rússia. Este acaso numérico só pode ser bom augúrio. Há, sem embargo, sinais contraditórios. De um lado, brada-se que Portugal "continua a vermelho", que os casos "são quase 45 vezes superiores" que há um ano, que a linhagem (?) BA.5 "já é dominante". De outro, que "o pico já terá passado" e que, portanto, o Governo não vai "endurecer medidas". Em que é que ficamos? Seja como for, não podemos passar sem notar que «endurecer medidas» é uma...