Rabisquei isto no República. Recordo-me que estava lá aquele gajo magro que depois foi lá morar na Matilde, como é que o gajo se chamava? Na altura todos concordámos que isto era meio gratuito.
1 Tomado de forma lata, o Comentário acerca das Legislativas de 18 de Maio, em geral, e dos resultados do partido Chega! (CH), em particular, tem dado corpo a duas grandes correntes, chamemos-lhes assim, analíticas: a corrente forense e a corrente ética . A primeira procura a culpa . Bem entendido, a culpa pela ascensão (ou pela consolidação, como se queira pôr) do CH. A segunda organiza os acontecimentos segundo uma lógica de Bem e Mal . E votar no CH foi, ou é, inequivocamente, um mal . Uma e outra são, é claro, interdependentes. Não raro surgem juntas, ou uma entronca na outra, ou aquela é premissa desta. Enfim, de uma maneira ou de outra, ambas julgam qualitativamente um voto e há nisso, mesmo que em diferentes graus, uma carga moral(ista). Ora, isto não se observa senão relativamente ao voto CH. E sim, há boas razões para isso – tão boas que me escuso de as elencar. Mas nem por isso deixa de ser um dado que merece reflexão. Outro dado: quando o emissor do Comentário aq...
Algo de errado se passa. (O quê, em rigor – de tanta coisa – nem sei bem. Mas) Digo-o com toda a sinceridade e determinação, com um arrufado sentimento de missão à mistura, como se dependesse unicamente de mim, num fardo hercúleo sobre os meus inexperientes ombros, todo o futuro da nação portuguesa: algo de errado se passa! Tenho que denunciar este crime hediondo. Tenho que trazer luz a esta sombria hecatombe, repetidamente dissimulada sob os focos de Suas Senhorias os estúdios televisivos, sob as tribunas de Suas Sumidades os nossos representantes, sob as indecentes camadas de pó-de-arroz de Suas Excelências as nossas vedetas! Ou muito me engano, ou todo este meu apreciável esforço já vem fora de tempo. Ou muito me engano, ou já nos encontramos afundados por completo no peganhento lamaçal da nossa corrupta e bafienta sociedade. Ou muito me engano, ou já é tarde de mais! Oh! e a virulenta censura a que serei sujeito e a perseguição mortal em que me verei protagonista, e o ataque rancor...
Não me espantaria que os telejornais do jantar desta sexta-feira chuvosa e fria e escura tivessem incluído nunca menos que um segmento de imagens onde pontuassem hordas de "jovens" em apinhada folia nocturna em que nove em cada dez - porque era esse o assunto da peça - se exibissem despidos de máscara. Imagino, do lado de cá do ecrã, uma massa de bons cristãos assistindo arrepiados, benzendo-se perante tal espectáculo, murmurando, entredentes, num misto de assombro e raiva, - Mas a pandemia ainda não acabou, repetindo-o mesmo - Mas a pandemia ainda não acabou, - Mas a pandemia ainda não acabou, - Mas a pandemia ainda não acabou, só não sabemos se o repetiriam em voz audível, se no segredo dos seus pensamentos, como não sabemos se o diriam por mera constatação de uma realidade relativamente objectiva, se por um inconfessável desejo - Que a pandemia não acabe, - Que a pandemia não acabe, quiçá expresso, aliás, num discurso directo donde transpirasse a familiaridade de dois anos...