terça-feira, junho 6

Entra tosco e aos apalpões, de órbitas enormes e salientes, os olhos fixados num ponto qualquer que não faz sentido. No medo do choque, o crânio calvo segue num plano recuado ao do tronco, traz a coluna a prumo, o chapéu-de-chuva vai tocando aqui e ali a medir distâncias e a sentir arestas. As pernas movem-se com rigidez. O rosto, esse, é bonacheirão, de nariz grande e redondo, faces escanhoadas, testa longa. Os lábios finos, de homem, como pedindo condescendência e apoio, desenham um sorriso quase perene, que só desfaz quando, sentado, já com o café e pastel-de-nata que a menina do balcão, reconhecendo-o de todos os outros dias, lhe vem, contra as regras da casa, deixar à mesa, se sente desacompanhado, fora de cena.

Tento imaginar como será sair de casa praticamente cego. Começo por me lavar, por me vestir. Estarei sozinho? Estará alguém comigo, nessa tão chata e tão profunda intimidade?
Ou estará a casa a meu exclusivo e especifíssimo jeito, toda organizada e arrumada para que a saiba ver de olhos fechados? Terei comigo o gato? Ele poderia, sem dúvida, aprender os meus passos, forçosamente repetidos, obedientes à casa organizada e arrumada, encaixados nessa organização, para saber não se postar diante de mim, aos meus pés, de lombo alevantado, de cauda arrebitada, de olhos melosos voltados para cima a pedir uma festa matinal, e, nessa ingénua afectividade, provocar a minha queda e com ela desarrumar a casa, o meu dia, o meu corpo todo, porque um gato, apesar de tudo o que por aí se diz, quer bem a quem o trata bem. Imagino-me já lavado, já vestido, e sozinho.  Sim, sozinho. Afinal de contas, como pode um homem que se preze sequer pensar em sujeitar uma mulher ou algum familiar a uma tão lamentável e estéril situação? Sozinho, enfim, calço-me, talvez estupidamente sentado no chão, porque imagino que é bom. Dou com a chave, fecho a porta, estou no hall do prédio. O mais lógico será tomar o elevador. Isso afigura-se-me inesperadamente fácil. Basta decorar bem os pequenos desníveis do chão, arrastar os pés um pouco, estar concentrado. Estou ainda dentro do prédio, do lado de cá do vento e do ruído e do mundo desorganizado e desarrumado e sem quem me aprenda os passos para não me fazer cair. Abro a larga porta de vidro, levo com aquilo tudo na cara, mas isso era previsível e basta apenas aguentar o primeiro impacto. Sinto frio no rosto e no pescoço, e o ar húmido e os cheiros da chuva. Estou ainda no alpendre do prédio, o abismo das escadas defronte, arrasto discretamente os pés até sentir o rebordo do primeiro degrau, tenho a mão direita a roçar na parede áspera só para me dar uma referência adicional, e vou pensando se venho com roupa adequada a um tão estranho junho. Penso que o principal será assentar bem o pé no primeiro degrau, o cérebro calcula a passada necessária para escorrer pelos outros abaixo, até à calçada, matematicamente. Estou na calçada, intacto. Faço contas aos lancis, estradas, degraus, postes de electricidade, sinais de trânsito, canteiros, reclamos, esplanadas, paragens de autocarro, árvores, bancos de rua, desníveis vários, inclusive uma estátua enorme, que se interpõem entre mim e o café. Devia talvez escolher outro café que não este, nesta rua que desce tanto, nesta rua que fica tão para cá de tantos obstáculos. A cegueira faz ver obstáculos que de outra maneira são invisíveis?
Bom, deixo-me deste exercício afinal estúpido, talvez ofensivo, seguramente errado. Mas é que este homem que existe e que está diante de mim, a duas mesas de distância, sai de casa assim, praticamente cego. Não sei onde e como vive, se longe, se com alguém, não sei e não saberei nunca, porque há mesmo coisas que nunca sabemos mesmo. Mas é que este homem, dizia, costuma ter neste café um lugar onde consegue sentar-se e estar e tomar o seu café e pastel-de-nata, onde encontrou já uma hora e uma mesa suas, num canto perto do balcão em que o assento é comum, corrido à face da parede, e lhe é de fácil acesso e bom apoio e conveniente até à menina do balcão que, como é para ele, lhe leva o serviço à mesa, os dois precisando já de poucas palavras, e as que sempre são precisas têm muito de cumprimento e pouco de utilitário, e tudo isto é muito importante e bom para qualquer homem, e que o deve ser ainda mais para um homem praticamente cego que vem sozinho e, levado pelo amor e por uma concepção qualquer de homem prezável, seja talvez só.

Hoje, aqui chegado, o homem deu-se conta de que ocupavam a sua mesa e hora do costume. Ali se encontravam duas mulheres passageiras que só tinham atenção para o umbigo da sua coloração de cabelo, para o brilho dos seus ecrãs de toque, e que viram na sua aproximação tentativa, no seu sorriso idiota, nas suas órbitas grotescas, na sua mão hesitante, apenas o comportamento repugnante e risível de um doidinho. Acostumado a que o reconheçam e lhe cedam aquele lugar – pode um simples lugar num café assemelhar-se tanto a um lugar no mundo? –, ali se quedou por uns segundos, de olhos fixados no tecto, balbuciando qualquer coisa na sua voz grave. Pareceu-me envergonhado, sentiu-se certamente ridículo, subitamente mais cego e desamparado. O sorriso cordial e devedor morreu-lhe por instantes no rosto, dilui-se em duas longas rugas que lhe sulcam a face. Uma mesa vizinha, a duas mesas de distância desta, de alguém mais familiar, deu-se conta e logo, dentro do possível, rearrumou aquele homem. Pensei, não sei bem porquê, que tudo seria mais fácil de aguentar se ele fosse mais novo.

terça-feira, setembro 16

O mero prazer, a irritação mais ou menos profunda, o aborrecimento: estes sentimentos, e enfim todos os que possamos apontar, são apenas periféricos, parciais, superficiais; e uma mulher a que nos liguemos não nos inspirará jamais esses sentimentos. Podemos crer que sim, se, mais tarde, reflectirmos acerca dalguma experiência ou ocasião partilhadas com essa mulher ou dalguma maneira a ela associada e tentarmos esquematizar ou traduzir aquilo que sentimos. Mas isso será sempre uma redução ao inteligível, ao dizível, uma fragmentação aleatória do todo que não somos capazes de nomear por inteiro. Isto é, fazer sexo com a mulher amada não é uma experiência «de prazer» - ainda que necessariamente o prazer nos beneficie - bem como um desentendimento com ela não é apenas uma contrariedade; antes são dois acontecimentos totais em que nada mais se ouve, nada mais existe. As suas consequências ultrapassarão sempre, e largamente, a nossa percepção e a nossa capacidade de ajuizamento, mas serão sentidas em toda a sua extensão e deixarão a sua marca. Se se passar de forma diversa, não é Amor. E isto é tanto mais verdadeiro quanto tentar dizê-lo de forma mais específica ou mais completa resultará invariavelmente em dizê-lo mal.

sexta-feira, setembro 12

11 de Setembro: 13 anos

O jornal de hoje estava pejado de pequenos artigos e entrevistas de e a académicos, analistas e políticos de carreira que, não sem generosidade, partilharam da sua mundividência acerca do que tem passado no Iraque e um pouco por todo o Médio Oriente, das perfídias do Estado Islâmico & outros que tais e, enfim, do «terrorismo internacional» em geral. Fiquei sabendo, por estes miradas impressas, que os olhinhos de todos estes ilustres homens ilustres só enxergam pelo estreito deixado pelas palas erigidas no bárbaro derrube do World Trade Center, no dia 11 de Setembro de 2001, há 13 anos em ponto. O presente é por esta gente observado à luz da impossível versão das autoridades estadunidenses e mesmo quanto ao futuro são as suas posições meramente o eco das já remotas futurologias oficiais do pós-11/09. Nada de novo: uma mentira horrível foi feita História.
Estão em causa coisas muitíssimo mais importantes que a História (que não é só uma disciplina pseudo-científica encomendada, ou pelo menos convenientemente domesticada, pelos Vencedores; é também um terreno fértil por natureza para o cultivo de toda a sorte de mitos, bem como dumas quantas modas mais ou menos passageiras). Estão em causa 13 anos de agressões armadas e invasões militares estrategicamente perpretadas em larga escala e que se traduziram num ror indizível de atrocidades, mortes e novas formas de caos (nalguns casos, formas inaugurais de caos) infligidas a povos e em territórios que uma aliás muy light propaganda, a que nem sequer faltou o elemento religioso, travestiu num pretenso inimigo global, simultaneamente anónimo e identificado, longínquo e vizinho, primitivo e sofisticado.
(Quando, por ocasião da atroz execução em vídeo de dois reféns, o carrasco, apresentado como sendo um jihadista do Estado Islâmico, falou num inglês de sotaque britânico, a máquina propagandística assustou-se ligeiramente: aquilo não encaixava lá muito bem no preto-e-branco distribuído para consumo geral.)
Estão em causa também um conjunto vastíssimo de leis, normas e directivas aprovadas sobretudo ainda durante o período de choque (pico do acriticismo) pós-11/09, mas também ao longo dos últimos anos, que ampliaram assinalavelmente o raio de acção dos governos norte-americano e europeus na intrusão e controle de liberdades individuais ligadas à privacidade, à expressão intelectual e artística ou à deslocação de pessoas e bens. Tudo feito, claro está, em nome da sobre todas sagrada segurança dos Estados.
Estão em causa, numa palavra, os fundamentos básicos de qualquer sociedade que se deseje livre e informada: justamente a sua liberdade e a informação a que tem acesso.

Hoje o jornal anunciava a estreia d' Os Maias, de João Botelho. Ao que parece, o realizador português usou, a par com elementos naturais, telas gigantes com pinturas de João Queiroz para as cenas exteriores, deixando a nu a mentira essencial de qualquer produção artística, "confessando - nas palavras de João Lopes - a manipulação que o sustenta [ao cinema, bem entendido]". Esta abordagem é quase diametralmente oposta à esmagadora maioria do cinema de grande distribuição filmado em Hollywood na última vintena de anos, em que, mais do que recorrer a uma representação do real como veículo da ficção, se procurou em grande medida tomar o lugar do real, substituindo-o. Aquilo que nos é dado ver nesses filmes (quanto a cenários e tramas) não é uma representação, uma imitação, menos ainda uma mera moldura ou cenário; aquilo é a realidade, a realidade é assim.
O que, a ser verdade, não será alheio à facilidade quase incompreensível com que (voltando ao 11/09) a inverosímel versão oficial foi globalmente acatada (das poltronas almofadadas da audiência entertain me dos cinemas Lusomundo aos estrados de madeira dos professores universitários). Isto é dizer que o cinema pop, nem por isso perdendo a sua condição de forma de expressão artística, é mais uma roda-dentada da engrenagem cujo intuito consiste no adormecimento geral do sentido crítico (trave-mestra das democracias maduras). E que a "informação" veiculada pelos mass media, feita para e por uma sociedade espectacularizada, é outra.
Recordo-me duma conversa de café com dois amigos, numa noite no Verão de 2004, a propósito dos atentados em Madrid (11/03). Eu questionava as versões que nos chegavam pelos meios de comunicação de todos estes acontecimentos; incrédulo, chamava a atenção para o facto de, após num primeiro momento as autoridades espanholas terem apontado o dedo à ETA, se terem virado para a al-Qaeda por terem encontrado numa carrinha tipo Kangoo estacionada, salvo erro, perto da Estação de Atocha "engenhos explosivos" e folhas soltas do Corão. Não entendendo a minha hesitação perante tamanhas evidências, disse-me de pronto um dos meus convivas:
"- Então e queres mais provas?!"

Estes mecanismos oficiais e públicos de criação-recriação histórica são assustadoramente eficazes, e nisto refiro-me também aos seus agentes e produtos finais propriamente ditos. A alternativa - verdadeiramente, apenas uma: cada um de nós com a sua precária memória e a sua visão dos acontecimentos que, melhor ou pior, testemunhou - não dispõe, seja em que contexto for (e, quanto mais abrangente, pior), do arcaboiço de certeza & credibilidade que se insiste em reconhecer a estes mecanismos, cuja profunda eficácia é especialmente azeda quando, volvidos apenas 13 anos, mesmo um tenaz e convicto desalinhado hesita e dá por si a questionar boa parte de tudo aquilo em que acreditou e por que se bateu há, afinal, tão pouco tempo.
(Que, tendo o desalinhado hesitado e questionado os seus fundamentos, retome, ainda que a partir do interior da pele diferente que hoje o envolve, aquilo que noutra época o tomou praticamente por inteiro e, com uma boa porção de filosofia à mistura, se reencontre até nesse processo, resulta quase indiferente.)

quinta-feira, setembro 4

"O que é a vida sem casa?"

Terá sido nos idos de 1995: a Ilha do Fogo reafirmava a justiça do seu baptismo ao tirar do estômago da terra, já não as batatas ou o feijão que os insulares lhe rogavam, mas uma lava rubra & negra que, de par com uma cinza sem fim que descia dos céus, foi de casa em casa caminhando, com a certeza duplamente lenta e repentina da Morte, a trazer a má-nova do fim de tudo o que, até ali, fora a vida.
Um jornalista português foi até àquelas paragens com a incumbência de recambiar de volta à costa atlântica da Península os ecos que a sua ciência lhe desse azo de recambiar. Dele a expressão «lava rubra e negra». Terá estado com um homem junto à sua casa já moribunda, apenas matemática questão de cronómetro até à derrocada do antepenúltimo pedaço anteceder a do penúltimo, e essa, por sua vez, a do derradeiro. Instado a deixar aquele lugar de desespero, o homem terá respondido: "fico até ao fim, fico até ao princípio da minha vida nova".
Noutro local, andando as autoridades a garantir a evacuação das casas ainda só ameaçadas, depararam-se com uma casa estranhamente encerrada por inteiro ao mundo exterior. Um agente bateu a saber dos de dentro. Não recebeu resposta. Insistiu e obteve o mesmo nenhum resultado. Diz que foi instinto: arrombou a porta e entrou na casa escura. Lá dentro, nesse escuro nocturno, na cama do casal, a família inteira, pai, mãe e seus seis filhos: como quem finge dormir e apenas sonhar um pesadelo que cessará ao acordar. O agente ordenou-lhes que saíssem dali para fora, e sem demoras, a lava estava a metros! Mas qual, o pai, parecendo crer que assim protegeria os seus outros eus, envolveu com os seus braços nus mulher e filhos e mostrou-se determinado a quedar-se ali, e o que viesse, chegaria. O agente endureceu a sua ordem, terá inclusivé ameaçado precipitadamente de morte o pai da família; e por fim, com a lava a homem-e-meio de distância da primeira parede da habitação, lá os terá levado todos oito a sair dali para lugar seguro. Numa angústia profunda, o homem evacuado à força terá dito ao agente que a casa é a vida de um homem. E mais: "se ficarmos sem a casa, que é a vida? O que é a vida sem casa?"
O que é a vida sem casa?
Quando li esta pergunta, senti-te instantaneamente ao meu lado, dentro do meu peito, tu inteira à minha volta, céu, chão, cadeira, papel, coração e mãos. O que é a vida sem amor? O que é a vida? O que é a casa? O que é sentir um sítio, ou alguém, como tal e chamar-lhes, intimamente, 'casa'? O que será, tendo uma vida, tendo amor, tendo um sítio a que chamar casa, assistir impotentemente ao seu fim?
Frente à casa em derrocada irrevogável, o homem terá respondido: "fico até ao fim, fico até ao princípio da minha vida nova".

sexta-feira, julho 25

Do conflito israelo-palestiniano - observações avulsas

"Não é aceitável que um país seja ameaçado por rockets, mas é preciso que a resposta seja proporcionada. Seiscentos mortos é, evidentemente, algo que não se pode aceitar."
Laurent Fabius, MNE francês (DN, 23/07/14)

1 - Pegando no que disse Monsieur LF, algumas questões
A presente acção das forças militares israelitas é, rigorosamente, verdadeiramente, uma "resposta"?
O que é, num contexto como este, uma "resposta proporcionada"?
Até que número, em que quantidade, são os mortos aceitáveis? A partir de quantos passam a ser algo "evidentemente" inaceitável?

2 - "Barbaridade, s. f. acção própria de bárbaros; crueldade, desumanidade"
A presente intervenção militar do governo israelita é uma barbaridade. É injustificável e inadmissível.

Benjamin Netanyahu, PM israelita: "faremos o que for preciso para nos defendermos"; Ron Dermer, embaixador de Israel nos EUA: [os soldados israelitas] "deveriam receber o Prémio Nobel da Paz" [porque combatem o Hamas] "com uma contenção inimaginável" (DN, 23/07/14).

"A guerra justa que podemos fazer, segundo Santo Agostinho, é aquela que (...) defende o seu bando dos que injustamente o querem ofender, porque grande bem faz, diz ele, quem aos maus tira licença de fazer mal".
Fernão de Oliveira, Arte da Guerra do Mar (1555)

3 - Um hospital ou uma praia não se parecem com um túnel (normalmente)
A prática quotidiana da actual campanha militar israelita desmente implacavelmente todas as palavras dos seus responsáveis políticos & militares acerca das motivações e objectivos deste ataque.

4 - Dos mais de 700 palestinianos mortos até hoje (17.º dia), uma grande parte são crianças
"Eu não sou um rapaz mau. Não sou um rapaz mau. Sou soldado e o soldado não é mau só porque mata. Digo isto para mim porque um soldado tem que matar, matar, matar. Por isso, seu eu mato, estou apenas a fazer o que é certo".
Bestas de Lugar Nenhum, Uzodinma Iweala

5 - Distinguir o trigo do joio
"Nunca houve uma guerra prolongada com a qual algum país tenha beneficiado".
Sun Tzu, A Arte da Guerra (cerca de 500 a. C.)

É indispensável distinguir «país» (entendido como "povo") de «governo» (e «interesses»).

Entre os palestinianos, quantos não serão os que se sentem revoltados com o Hamas?
Morreram já mais de trinta soldados israelitas; como se sentirão os familiares e amigos desses homens?

(...)
Governo israelita pediu ontem mais 225 milhões de dólares ao governo norte-americano para reparar o escudo anti-míssil.
EUA anunciaram anteontem ajuda humanitária de 47 milhões de dólares destinada aos atingidos pela campanha israelita na Faixa de Gaza.
(...)

6 - Não existe tal coisa como "esforços diplomáticos da Comunidade Internacional" no sentido que por aí se lê
John Kerry, secretário de Estado norte-americano: "Estamos profundamente preocupados com as consequências do esforço legítimo e apropriado de Israel para se defender" (DN, 22/07/14).

Porque é que se tentou negociar um cessar-fogo que não incluía o fim do bloqueio (em vigor desde 2006) à Faixa de Gaza?

7 - Do lado de lá da insensibilidade
Chegam-nos, através dos jornais, relatos de famílias que se separam (mãe com filho, pai com filha) numa tentativa de aumentar a probabilidade de pelo menos uma parte da família sobreviver.