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É prò nosso bem, está visto

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"O aval" , do blog «Arrastão: os suspeitos do costume». . Serei só eu, ou há qualquer coisa nisto dos 20.000.000.000€ que o Governo disponibiliza aos bancos que não cheira bem? À partida, a coisa parece simples, parece aliás clara como a água: para que os cidadãos não fiquem sem acesso aos créditos bancários e para que as poupanças familiares fiquem imunes a bancarrotas, põe-se de parte uma salvaguarda monetária a que os bancos, em caso de maior aperto, poderão recorrer. Mas, logo ( ainda ) à partida, surge uma série de dúvidas sobre os porquês e comos desta medida. Afinal de contas, este montante que o Governo destina aos bancos ( e que é mais de 11% do PIB nacional ) é proveniente dos descontos mensais dos contribuintes, essa canalha que justamente a banca muito alegremente espezinha diária e mensalmente - de resto, com a bênção do ( s ) Governo ( s ). Por outro lado, a discussão desta decisão centrou-se quase exclusivamente na necessidade de se disponibilizar uma verba;...

Falta de qualidade ao triângulo, ou Uma coisa que tinha escrita e já nem me lembrava

___________________________________________________ É fácil perder a noção do tempo. É difícil definir noção de tempo. Duvido que haja uma ligação entre as duas coisas. Posto isto, e sem necessidade, digo que o que segue é coisa já com algum tempo. Velha? Talvez sim, talvez não. Nova? Talvez sim, talvez não. Há muita coisa difícil de definir. Uma delas é a utilidade de definir. ____________________________________________________ Ao que tudo indica, digo tudo mas podia dizer quase tudo, a falta de qualidade impera. E digo impera isoladamente, sem acrescentar nada mais, mas, em prol de uma maior precisão, achego que impera fundamentalmente no meio de comunicação vigente: claro está, a toda-poderosa televisão. Diz-se dela que é o quarto poder, mas não se enganem os que não vejam além da numeração presente na designação, só se diz dela que é o quarto dos poderes porque veio cronologicamente em último lugar, pois, em rigor, teríamos de a classificar de primeiro poder, sendo certa e comprov...

Aguaceiro

Noite de aguaceiros. Os estores estão subidos, a janela está sendo fustigada pelos pingos grossos. A luz amarela dos candeeiros da rua dá às gotas pegadas ao vidro um corpo bestial. Observo a minha mão direita, as suas unhas e pregas, os riscos das juntas das falanges, seus pêlos e suas veias, tudo enquadrado na janela de luz amarela, tudo enquadrado como numa fotografia. Vejo tudo a preto e branco, tudo de papel, tudo irreal. Digo vejo , mas devia dizer olho . Olho, então, a mão. Olho, mas não vejo nada. Olho, mas já me esqueci da mão. Estou na cama, mas já não estou deitado, estou lá fora no telhado, a ver-me através do reflexo da vidraça, a ver a palma da mão quando ainda há pouco lhe via as costas, a ver-me olhar as costas da mão enquanto lhe vejo o branco da palma. Estou no telhado e chove cada vez mais, mas não estou molhado. Fico espantado ao dar conta de que não estou espantado. Nisto, viro os olhos para o interior do quarto e vejo-me já a dormir com a mão direita adormecida so...

O cartaz

O PNR é, ideologicamente falando, tão "de extrema" como o BE (por exemplo). Efectivamente, o BE (por exemplo) é bem mais moderado nas suas intervenções públicas que o partido liderado por Pinto Coelho. De qualquer modo, reconhecer assento parlamentar a (por exemplo) um partido cujo líder diz seguir a linha de Trotsky é como que o avesso da proibição da expressão pública de um outro que defende, numa linha talvez fascista (e portanto inconstitucional), o fim da imigração - ou seja, ainda que este desfazamento tenha lugar em diferentes escalas e contextos e por agentes distintos, é, analisado do ponto de vista dos órgãos decisores, uma clara incoerência. Nada de novo, com efeito. É difícil estar de acordo com o cartaz afixado pelo PNR, sobretudo pela simplicidade da mensagem e da imagem e pela carga de preconceito porventura infundado em que parece basear-se. No entanto, a liberdade de expressão é, suposta ou propagandisticamente, um valor da sociedade democrática. Aliás, o pr...

Um libertinóide passeia por Oeiras

Arribo ao Cais do Sodré ainda tarde. Olho uma tabuleta de dígitos verdes ao cimo das escadas enrolantes. Calha-me em sorte um comboio em vias de zarpar, coisa a tardar um tudo de nada, melhor era prescindível. Hora de zarpanço: 10:20, isto posto assim aqui como posto estava lá, e com lá à tabuleta me refiro. Diz-me ainda a electrónica da dita-cuja, prestável a dar com um pau, que pelas dez e quarenta e tal estou em S. João. Porreiro, pá, nasalo eu pròs meus botões a escarnir secretamente do senhor primeiro-ministro – secretamente!, pra quê? A aparelhagem bruta de câmeras de gravar som e imagem que me persegue já desde o Campo Grande (e que me acompanhará ao longo da linha de comboio de toda a Linha no comboio e, ainda, ao regresso) mete-me nojo, dá-me gases, estou mesmo bom é pra me atirar às fuças de qualquer sócrates que me apareça à frente, algum que fosse dessa canalha da AR, desses corsários de gravata, porra! que, juro, lhes limpava o sebo! – isto tudo escapou-se-me, na fúria, em...

Revista de Imprensa (short version)

A notícia começa assim ( link ): "Um especialista em "gripe das aves" disse" . Uh, promete. E continua: "Senão [sic] nos preparamos para uma pandemia, podemos ter cenários onde milhões de pessoas vão morrer" . Uh, medo. E mais: ""Se não formos comunicativos, a pandemia pode estalar num qualquer lugar do mundo e chegar ao outro lado do planeta em horas", alerta" . Estalar, uh. A mediática pandemia ainda (!) está na ordem do dia, apesar de não ser pandemia coisa nenhuma - só matou 243 pessoas em cerca de dez anos, mas já foram muitos ( muitos mesmo) os milhões investidos em "fundos de prevenção", "stocks de fármacos" e "conferências de especialistas". Já foi há mais de dois anos que tive oportunidade de me pronunciar sobre a coisa ( link ) e a ideia mantém-se. Ao que tudo indica, a mortífera «gripe das aves» anda a par com o obscuro «terrorismo internacional», com o ameaçador «aquecimento global» e com (ist...

Declaração oficial do P-M no momento em que se começam a conhecer os resultados das eleições angolanas

_ Portuguesas e Portugueses, _ Os nossos irmãos angolanos vivem neste instante em que a vós me dirijo um momento que o rigor me obriga a classificar de histórico : tal como havia declarado há cerca de um mês atrás o nosso muito querido Presidente Eduardo dos Santos com o brilhantismo que se lhe conhece, Angola está com efeito a dar um inequívoco e sublime exemplo a todos os estados do Mundo do que deve ser uma eleição democrática. É com pujante determinação e carácter que o Governo e o Povo angolanos marcam o seu lugar na dianteira do pelotão dos países embaixadores do Desenvolvimento e da Liberdade. Pelos profundíssimos laços históricos e afectivos que ditosamente unem Portugal e Angola com o vigor e beleza do Amor verdadeiro, é com regozijo que, em meu nome pessoal e em nome de toda a Nação portuguesa, endereço os mais calorosos parabéns ao Presidente previsivelmente reeleito, Eduardo dos Santos, ao que junto um ultramarino amplexo fraternal e caridoso a todo o bravo e lúcido Povo an...