1 Tomado de forma lata, o Comentário acerca das Legislativas de 18 de Maio, em geral, e dos resultados do partido Chega! (CH), em particular, tem dado corpo a duas grandes correntes, chamemos-lhes assim, analíticas: a corrente forense e a corrente ética . A primeira procura a culpa . Bem entendido, a culpa pela ascensão (ou pela consolidação, como se queira pôr) do CH. A segunda organiza os acontecimentos segundo uma lógica de Bem e Mal . E votar no CH foi, ou é, inequivocamente, um mal . Uma e outra são, é claro, interdependentes. Não raro surgem juntas, ou uma entronca na outra, ou aquela é premissa desta. Enfim, de uma maneira ou de outra, ambas julgam qualitativamente um voto e há nisso, mesmo que em diferentes graus, uma carga moral(ista). Ora, isto não se observa senão relativamente ao voto CH. E sim, há boas razões para isso – tão boas que me escuso de as elencar. Mas nem por isso deixa de ser um dado que merece reflexão. Outro dado: quando o emissor do Comentário aq...
- Oh, olá, nem te reconhecia! - Pois é, com isto das máscaras nem nos conhecemos. - Viste os números de hoje? Uns três mil setecentos e tal, não é brincadeira nenhuma. - Está a piorar imenso, sim. Mas as pessoas abusam, essa é que é a verdade... - Pois, pois é... - ...é discotecas, é jantares... - ...agem tipo «não se passa nada»... - ...não viste ontem no telejornal? - ...e não tarda está tudo fechado outra vez. - É ajuntamentos em tudo quanto é sítio. - Ai, enfim, a ver vamos que Natal temos. - Sim, a ver vamos. Estamos nas vésperas de um retrocesso àqueles dias de chumbo do pico da histeria pandémica. É um sentimento que ganha espessura, que se insinua e que, como uma gosma, se cola à pele. É, como o são as coisas gosmentas, nojento. Os signais aí estão para quem os queira valorizar: num encore mórbido, espécie de improviso ensaiado (porque aparentemente espontâneo, porque inequivocamente pré-programado), a co-presença voltou a ser, puramente, sinónimo de per...
Parece que estamos a passar pela sexta vaga. Francamente, achava que já tinham sido mais. Mas é o que dizem e, em última análise, o que nos dizem é tudo o que temos. A vida não é senão o fogo-cruzado entre a narrativa que alguém nos conta, a percepção que a partir daí calha elaborarmos e, nos intervalos entre uma coisa e outra, a especulação em que nos gastamos. Portanto, se é a sexta vaga é a sexta vaga. Aliás, há até uma certa sincronização cósmica - porque é tempo também do sexto pacote de sanções à Rússia. Este acaso numérico só pode ser bom augúrio. Há, sem embargo, sinais contraditórios. De um lado, brada-se que Portugal "continua a vermelho", que os casos "são quase 45 vezes superiores" que há um ano, que a linhagem (?) BA.5 "já é dominante". De outro, que "o pico já terá passado" e que, portanto, o Governo não vai "endurecer medidas". Em que é que ficamos? Seja como for, não podemos passar sem notar que «endurecer medidas» é uma...